A este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele crêem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome. Atos 10:43

Feitiçaria, incompatível com Cristianismo
Inserida em 25/07/2010 - Fonte: ALC
O dossier sobre a proliferação de seitas em Angola continua na ordem do dia, quando peritos e outras instituições credíveis empenham-se, cada vez mais, para apurar argumentos que possam justificar o encerramento de algumas comunidades que operam no país, cujas doutrinas teológicas levantam muitas dúvidas sobre a seriedade com a qual desenvolvem as suas actividades. Aliás, os trabalhos de investigação que vão prosseguindo com muita cautela, em todo o território nacional, surgem na sequência da solicitação do próprio Governo, que achou por bem tratar com pormenor esta questão que está a provocar, em parte, uma desordem social que, nestas circunstâncias, requer ordem, para manter uma certa estabilidade nas famílias, nos bairros e mesmo nas grandes cidades, onde muitos movimentos religiosos estão a causar pânico.
E tudo surge e ganha forma no âmbito do fenómeno religioso, que sustenta a existência de várias denominações, congregações e seitas. Entre os pontos fulcrais que estão na base do projecto do encerramento de algumas congregações e a rejeição de muitos pedidos para a legalização de outras, salienta-se o “culto da feitiçaria”, que está a ganhar um espaço considerável, mesmo sabendo das consequências graves que esta prática provoca. As instituições afins têm dados certos sobre este fenómeno, que não deixa de ser um problema social, na medida em que afecta muitos compatriotas que estão a ser vítimas da exploração e dos caprichos de vários cidadãos que se auto proclamam “profetas”, “videntes”, “adivinhos”, devidamente inspirados por Deus. E advogam ser possuídos de espírito que os ajudam a descobrir quem é feiticeiro na família, no bairro, no local de trabalho e nas próprias comunidades onde se reúnem em nome de Jesus Cristo. Com isto, é o cristianismo que entra em choque com elementos que não fazem parte de um verdadeiro credo religioso. Todavia, por uma questão de curiosidade, nota-se que quase todas estas seitas se identificam com o cristianismo. E assim, dão a entender que a feitiçaria é um dos elementos importantes que dá forma à religião cristã. Evidentemente, a feitiçaria surge, neste prisma, como um autêntico dilema: situa-se no universo dos espíritos e do sagrado, estruturas que fazem parte da religião, campo apropriado onde se pode falar deste facto. Assim, esta prática surge como objecto de estudo da sociologia ou antropologia religiosa angolana. Neste contexto, os estudiosos de vários ramos abordam o problema do feitiço, reconhecendo esta realidade como elemento da cultura tradicional angolana, mas que interpela a teologia e a pastoral, campos também aptos para avaliar o fenómeno em causa. Em sociologia e antropologia, poucas dúvidas há para aprovar a existência desta crença que é partilhada por muitos membros da sociedade angolana. Como prática, como elemento cultural, o feitiço é reconhecido… É confirmado como parte imaterial ou ideal da cultura, é a área onde estão integrados vários tipos de crenças e práticas situadas na linha do sagrado. O feitiço encontra aqui a sua justificação como elemento cultural do povo angolano.Mas o que é o feitiço? De uma forma geral, e no sentido mais amplo do termo, é utilizado para designar uma conduta de carácter mágico, na qual os objectos assumem características específicas, funcionando como seres dotados de poderes sobrenaturais, poderes esses que se julga repousarem no objecto e conferem-lhe o domínio do destino humano. No sentido pejorativo, exprime apenas a idolatria dos primitivos, uma vez que o termo acabou por se tornar sinónimo de religião primitiva e as sociedades ditas primitivas explicam os diversos fenómenos naturais segundo uma relação baseada numa certa conduta mágica. Admitem-se distinções entre termos e figuras como mago, adivinho, curandeiro, mas tudo pode ser enquadrado no mesmo contexto: o da feitiçaria. Sobre este aspecto há uma certa unanimidade entre estudiosos, que aceitam que o feiticeiro faz parte da realidade que se situa do lado do mal, da noite, da destruição, do anti-social, pois pertence ao mundo tenebroso. Quando é acusado, reconhece sempre as suas responsabilidades, mesmo sem consciência do que fez ou faz. Nestas circunstâncias, é severamente punido com várias sentenças: pode ser queimado, agredido até à morte, degolado, etc.
Perante esta leitura sociológica e antropológica, a teologia responde a esta questão, condenando, severamente, esta prática que vai contra a fé cristã, que ajuda a perdoar, a purificar e a salvar o próximo, não acusando este ou aquele. Sabe-se que quando alguém é acusado de feiticeiro, gera-se o pânico, as crianças são rejeitadas e as famílias se dividem. O “profeta” que revela falsamente esta vertente destabiliza o acusado e as pessoas que lhe são queridas. Por isso, não deixa de ser um criminoso que deve ser sancionado. Daí, a necessidade de velar pela ordem social, condenando teológica, pastoral e juridicamente as seitas promotoras desta prática. Pelo que é oportuno e justo este processo que trata da “morte” de algumas seitas no país, especialmente as que promovem a feitiçaria.
 
Escolas reproduzem a violência, afirma teólogo
Inserida em 13/07/2010 - Fonte: ALC
Os centros educacionais são violentos, porque quem deles participa não está alheio ao contexto de violência existente no país, disse o professor Mario Méndez, da Escola Ecumênica de Ciências da Religião, da Universidade Nacional.
Ainda que “aprendam violência num meio violento”, o docente universitário admitiu que as escolas podem gerar processos educativos alternativos orientados para a construção de relações de paz. No entanto, com freqüência e sem que os educadores consintam, reproduzem o tipo de inter-relações violentas cultivadas fora da instituição. Na semana passada, a notícia de agressão de aluno contra diretora da escola que frequenta impactou a sociedade. Aluno do quarto ano de colégio privado irritou-se com as medidas disciplinares que lhe foram imputadas e disparou revólver, a queima roupa, contra a diretora, que está hospitalizada em estado grave.Num artigo de opinião enviado à ALC, Méndez assinalou que cada vez que ocorre um ato violento aflora o debate sobre as origens da violência e quais estratégias adotar para superá-la. Passado o impacto inicial, no entanto, o debate se debilita e o tema cai no esquecimento.
Fora das escolas, são violentos os espaços de trabalho e os salários injustos que ampliam as assimetrias; as ruas e os praças de esportes; a política, o comércio, baseado na concorrência e na lógica ganhar-perder; os meios de comunicação comerciais, que fazem dela um espetáculo rentável, arrolou o teólogo.
Mas também as igrejas são violentas por causa do seu autoritarismo, pela pretensão de possuir a verdade de forma exclusiva, pela exclusão das mulheres dos ministérios e pela prepotência com que a hierarquia faz calar aqueles que não pensam como eles. Méndez destacou que as instituições de educação formal são violentas por si mesmas. Assim, entre muitos outros aspectos, alegou que elas não contribuem para a paz quando adotam “categorias que pertencem mais ao mundo da empresa competitiva do que ao da pedagogia: qualidade, excelência, concorrência, capital humano, planejamento estratégico, etc.”.
O teólogo concluiu que se os centros educativos vissem as diferenças culturais, religiosas, de gênero, como condição indispensável para a aprendizagem, seriam espaços para a construção de paz. “Quando as diferenças encontram ‘sua casa’ na escola, o diálogo e a solidariedade substituem ao monólogo e à concorrência”, frisou.
 
Apito amarelo denuncia escândalo da fome no mundo
Inserida em 13/07/2010 - Fonte: ALC
Com exceção do Brasil, a América Latina e o Caribe têm, hoje, mais pobres e miseráveis do que tinham nos anos 80. “São 53 milhões de famintos quando eram 45 milhões em números absolutos”, informou o diretor geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Jacques Diouf. No Brasil, cresceu o percentual de brasileiros e brasileiras que passaram a se alimentar melhor. Em 2002/2003, 46,7% das famílias entrevistadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) relataram não ter pleno acesso à alimentação básica, percentual que caiu, este ano, para 35,5%. As regiões Sudeste, de 43,4% para 29,4%, e Norte, 63,9% para 51,5%, registraram as maiores quedas. O IBGE também constatou o crescimento médio de 10,8% no rendimento médio do brasileiro, de 2003 a 2009. A família brasileira gasta, em média, 2,6 mil reais por mês (cerca de 1,45 mil dólares). A FAO lançou, em maio, a campanha denominada “1billionhungry” (Um bilhão de pessoas com fome e eu estou louco de raiva), com o propósito de recolher um bilhão de assinaturas no mundo com o intuito de fazer pressão política junto à Organização das Nações Unidas, mostrando que a fome é um crime.
O Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) divulga a campanha no Brasil, que também tem o apoio da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A listagem das assinaturas deverá dar entrada na ONU até 16 de outubro, Dia Mundial da Alimentação.
O símbolo da campanha é um apito amarelo, encorajando as pessoas a apitarem contra a fome. “Deveríamos estar furiosos com o vergonhoso fato de que seres humanos ainda sofram de fome”, disse Douf. O problema não é a falta de alimentos, mas a sua distribuição. Hoje, são produzidos no mundo alimentos suficientes para que todas as pessoas possam ter uma alimentação adequada e possam levar uma vida sadia e produtiva.