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Respondendo a um jornalista no voo que nesta manhã de
terça-feira feira o levou a Portugal, Bento XVI explicou
que a maior perseguição sofrida pela Igreja nasce do
pecado que ocorre em seu interior.
A bordo do Airbus 320 da Alitalia, no início de sua
15ª viagem apostólica internacional - a primeira para
Portugal -, Bento XVI respondeu a uma pergunta que muitas
pessoas gostariam de ter-lhe feito.
O jornalista perguntou-lhe se seria possível ver na
mensagem de Fátima uma alusão ao atentado sofrido por
João Paulo II e também aos sofrimentos que a Igreja
vive hoje, por conta dos casos de abusos sexuais contra
menores cometidos por membros do clero.
Bento XVI respondeu que o que poderia ser descoberto
de novo ainda hoje na Mensagem de Fátima é nela se ver
a "paixão" que acomete a Igreja, que "se
reflete na pessoa do Papa".
"Não vêm apenas de fora os ataques contra o Papa
e a Igreja, mas os sofrimentos da Igreja têm origem
do interior da própria Igreja, do pecado que existe
no seio da Igreja", acrescentou.
"Sempre se soube disso, mas hoje podemos constatar
de maneira realmente aterradora: a maior das perseguições
contra a Igreja não advém de inimigos externos, mas
nasce do pecado no seio da Igreja, e a Igreja, portanto,
tem uma profunda necessidade de reaprender a penitência,
de aceitar a purificação, de aprender, por um lado,
o perdão, mas também a justiça. O perdão não substitui
a justiça."
O Papa sustentou que "o Senhor é sempre mais forte
que o mal e Nossa Senhora é, para nós, a garantia visível,
maternal, da bondade de Deus, que é sempre a última
palavra na história".
Anteriormente, o Pontífice havia respondido a uma pergunta
sobre a realidade da secularização de Portugal - um
país profundamente católico.
Bento XVI reconheceu, em primeiro lugar, a presença
ao longo dos séculos de uma "fé corajosa, inteligente
e criativa", testemunhada pela nação lusitana também
em várias partes do mundo, como no Brasil. Mesmo notando
"a dialética entre fé e secularização em Portugal",
não faltam pessoas dispostas a "criar pontes"
e "criar diálogo" entre as duas posições.
"Penso que é precisamente esta a tarefa, a missão
da Europa neste contexto: encontrar este diálogo, integrar
fé e racionalidade moderna numa única visão antropológica
que complete o ser o humano e torne comunicáveis as
culturas humanas", constatou.
"A presença do secularismo é algo normal, mas a
separação, a contraposição entre secularismo e a cultura
de fé é anômala e deve ser superada - disse o Papa.
O grande desafio neste momento é favorecer o encontro
dos dois, para que assim se descubra sua verdadeira
identidade. Esta é uma missão da Europa e uma necessidade
humana em nossa história."
Bento XVI também respondeu a uma pergunta referente
à crise econômica, que segundo alguns, coloca em risco
a estabilidade da própria União Europeia.
Partindo da doutrina social da Igreja, que convida o
positivismo econômico a dialogar com uma visão ética
da economia, o Papa confessou que a fé católica tem
deixado, com frequência, as questões econômicas de lado
para dedicar-se primordialmente "à salvação individual".
"Toda a tradição da doutrina social da Igreja busca
ampliar o sentido ético e o da fé, para, além do indivíduo,
abordar a responsabilidade do mundo, e uma racionalidade
‘moldada' pela ética. Os últimos eventos ocorridos no
mercado, ao longo dos últimos dois ou três anos, têm
demonstrado que a dimensão ética está circunscrita e
deve estar inserida no agir econômico".
"Apenas dessa forma a Europa cumprirá sua missão",
concluiu. |