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Dos
2 bilhões de cristãos no mundo, pelo menos 100 milhões
sofrem algum tipo de opressão ou perseguição, de modo
especial em países islâmicos. O dado é da ONG Missão
Portas Abertas.
“As coisas parecem estar piorando”, disse Ângela Wu,
diretora internacional do Departamento Legal do Fundo
Becket para a Liberdade Religiosa, com sede em Washington.
Os fatos justificam a observação de Wu. Na quarta-feira
da semana passada, dez atiradores invadiram escritório
da Visão Mundial em Mansehra, distrito ao norte de Islamabad,
capital do Paquistão, matando seis funcionários e ferindo
outros sete.
O governo do Marrocos expulsou, no início do mês, 26
cristãos, a maioria evangélicos, acusados de proselitismo.
Em fevereiro, pelo menos oito cristãos foram assassinados
na região de Mosul, no Iraque. No Egito, oito cristãos
coptas foram mortos a tiros quando saíam de missa, num
domingo, em janeiro.
“Embora tenha surgido no Oriente Próximo, o cristianismo
é visto como influência estrangeira ocidental em muitos
lugares do mundo”, explicou Wu.
De acordo com levantamento da Missão Portas Abertas,
que abrange o período de novembro de 2008 a outubro
de 2009, a Coréia do Norte desponta na classificação
de países por perseguição. Comentam, inclusive, que
cristãos foram usados como cobaias para testes de armas
químicas e biológicas realizadas no país.
Em segundo lugar aparece o Irã, onde templos foram fechados
no ano passado e estima-se que 85 cristãos estejam presos.
O islã é a religião oficial no Irã, e todas as leis
devem ser compatíveis com a interpretação oficial da
sharia (lei islâmica).
Seguem-se na lista dos dez países onde a liberdade religiosa
é letra morta: Arábia Saudita, Somália, Maldivas, Afeganistão,
Iêmen, Mauritânia, Laos e o Uzbequistão.
Em pesquisa realizada entre metade de 2006 e metade
de 2008, em 198 países, o Pew Fórum on Religion &
Public Life, de Washington, concluiu que 70% dos 6,8
bilhões de habitantes do planeta vivem em nações com
alguns ou elevados limites à liberdade religiosa. Apenas
15% da população vivem em países onde a manifestação
religiosa é livre.
Essa pesquisa arrola também a China e a Índia entre
os países com restrições religiosas. O Pew Fórum faz
uma distinção entre países nos quais os governos impõem
restrições e países onde a população discrimina quem
não se alinha à religião hegemônica.
Na China e no Vietnã, são governos que restringem a
liberdade religiosa. Na China, as restrições atingem
budistas do Tibete, muçulmanos do Uighur, e cristãos,
que sequer são registrados.
Se os governos da Nigéria e de Bangladesh se mostram
moderados, é a sociedade civil que explode contra seguidores
de uma ou outra religião. O mesmo ocorre na Índia, onde
as hostilidades são perpetradas mais por grupos sociais
do que pelo governo.
Na lista do Pew Fórum a Arábia Saudita aparece em primeiro
lugar porque no país tanto autoridades quanto população
são hostis às religiões “inimigas”. Governos do Sri
Lanka, Myanmar e Camboja defendem uma só religião, o
budismo, reprimindo as outras.
No país mais islâmico do mundo, a Indonésia, os muçulmanos
Ahmadi são os oprimidos, enquanto na Turquia são os
muçulmanos Alevi.
Mapa desenhado pelo Pew Fórum mostra que os países que
apresentam maior liberdade religiosa são aqueles onde
o cristianismo é majoritário: Europa, Américas, Austrália
e África subsaariana. Na Grécia, porém, só os cristãos
ortodoxos, os judeus e os muçulmanos podem se organizar
como religião e deter propriedades.
Estatística da Missão Portas Abertas indica que de cada
100 pessoas no mundo 19 são muçulmanas, 18 não têm religião,
17 são católicas, 17 são ortodoxas, anglicanas, protestantes,
evangélicas e pentecostais, 14 são hindus e seis são
budistas.
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